Arquivo da categoria: Impressões by Neo

Permanente

Olhos fechados…

Nesta escuridão parcial e forçada tento ler as entrelinhas do tempo, a mensagem por trás da mensagem, o que se quer dizer mesmo quando não se quer dizer nada.

Na ânsia por uma luz me cobro e me cubro de perguntas infinitas e envoltas pelo silêncio da resposta que nunca chega e pelo suspense que deixa a alma flutuando num mar de incertezas, de confusão, de sentimentos e reações que formam uma cadeia de erros e tentativas de acertos. Uma busca incessante da solução, da realização de um sonho, do alento de um pouco de paz.

Tento acordar do pesadelo da distância, da saudade que se instalou, mas não há para onde ir. Tento entender o que você quer me dizer. Tento entender as perguntas pra pensar nas respostas. Tento achar as respostas que vão colocar fim as perguntas. Mas não ouço. Não encontro. Não acerto. Não desisto…

Abro os olhos.  Não há como e nem porque. Não existem respostas. Mas também não existem palavras que sejam suficientes pra explicar o sentimento que tomou conta de mim quando te vi. Nem pra traduzir a profundidade e intensidade do que ele representa. Basta dizer que você é tudo.

Ainda existe a espera. O tempo. A distância. A saudade.

Mas acima e além de todas estas coisas há o que é permanente: o amor.

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Neo


Em Frente…

Se ter muito tempo pela frente significa perder você, não quero ter este tempo…

Não quero este tempo que me tira o sossego

Nem este tempo que me afronta quando não tenho nada pra fazer

Muito menos este tempo que nada me diz sobre o futuro…

Não quero este tempo

Não quero esta ausência

Não quero pensar…

Mesmo assim

Tenho que tocar em frente…

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Neo


Shift…

Só pra dizer o que já está dito, repetido, confirmado e reclamado.

É difícil mudar.

Seja qual for a mudança, nunca estamos preparados para ela. Acho até que mesmo com toda mobilidade que temos, não somos seres assim tão móveis. Acabamos nos acostumando ao lugar de conforto. Criamos raízes, referência e nos atrelamos a tudo que nos passa um mínimo de segurança. Aprendemos assim e acabamos acreditando que esta é a fórmula do sucesso. Isso talvez explique nossa resistência e dificuldade em aceitar e enfrentar mudanças.

Isso também explique, talvez, o fato de alguns de nós permanecerem no mesmo lugar a vida toda e jamais se atrever a arriscar algo. Pode doer, pode dar errado. As mudanças impostas são ainda piores, pois você tem que simplesmente executá-las e se virar.

O detalhe irônico de tudo é que hoje tudo muda numa velocidade tão impressionante que o que era pela manhã pode já não ser mais no meio da tarde. Os grandes sucessos são imediatos, os grandes fracassos também. Potencializados pela mídia e a tecnologia da informação.

Tudo é muito urgente e inadiável. Mas ainda somos gente. Com raízes e laços. E levamos tempo pra absorver novidades. Uns mais, outros menos, mas tem sempre um muro que se levanta lá dentro da gente quando o menor sinal de novidade surge no ar…

E é bem isso que nos torna tão espetaculares.

Abraço!

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Neo

Texto escrito na base do improviso num notebook com conexão via modem 3G (já que a internet ainda não foi ligada) e em meio a pilhas de caixas  e coisas espalhadas após um final de semana intenso  de mudança… literalmente falando…


Flores…

Uma vizinha decretou a morte de um ipê que florescia à frente da sua casa, porque ele sujava o chão e dava muito trabalho para sua vassoura.

Seus olhos não viam a beleza. Só o lixo…
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Neo


Lettering #001

Ainda aqui… nesta absurda falta do que dizer…

Esperando que o dia anoiteça

Anoitecendo com ele

E quase não amanhecendo outra vez…

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Neo


Sim, é Frio…

Um súbito, e, talvez passageiro inverno na alma. Mas que tem se prolongado por mais tempo do que eu gostaria. Um inverno com nuances de permanência. Uma ausência total de respostas pra todas as perguntas que surgem no decorrer dos dias. Um misto de acontecimentos surpreendentes para os quais não se está preparado, mas que se tornam de repente um gigante a centímetros de distância.

As perguntas e a solidão me acompanham noite adentro.

Não há calma. Apenas a certeza de um vazio a ser preenchido.

Uma ausência de primavera, de outono e de verão. Chuva misturada com vento frio e solidão.

Medo do que pode acontecer daqui a pouco e incerteza com o que pode acontecer amanhã.

Uma amiga disse que “os invernos da alma sempre vão acontecer”, mas por vezes eu me pergunto se depois do inverno não deveria ter uma primavera, onde a gente pudesse se aquecer e derreter o gelo que se acomodou na alma.

As perguntas e a solidão me acompanham noite adentro.

O coração preenchido e a mente a procura de respostas

Que não vêm…

Sim.. é frio… e talvez… um súbito e passageiro inverno na alma…

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Neo

Baseado no texto “Não é frio”, do blog Vigília Onírica da amiga Sonâmbula Insone. (Quase um plágio… será que há perdão?)

 


A Falta…

Tudo que falta por aqui ainda não se encontrou na verdade.

Faltam palavras

Idéias

Histórias

Falta alguém

Falta algo

Falta vida na vida

Sobra saudade

Vontade

Falta do que dizer

Tudo que vai

Tudo que falta

Tudo que deveria ser dito e não foi

Tudo que deveria fazer o maior sentido, não fez

Como este texto aqui..

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Neo


Retórico…

Todas as respostas que imaginei ter um dia me fogem bem agora que preciso delas.

Neste instante, agora a pouco, todas as idéias, sons, músicas, tons, lembranças, diálogos, imagens e fatos se despejavam em minha mente enquanto a água morna caía na minha cabeça. Parecia que todo tempo se rebobinava em minha mente com uma urgência de quem tem tudo pra contar em uma única poesia. Orquestra, letra e dança…

Mas as palavras fogem. Como aquela água escorrendo e esvaindo pelo ralo.

Retórico como as perguntas que faço já sabendo as respostas possíveis e impossíveis.

Paranóico, como se isso fosse a última chance de uma vida inteira.

Não sei as perguntas, desconheço as respostas. As vezes me desconheço, no emaranhado de eus que se perdem aqui dentro. Neste tanto de gavetas que estão abandonadas sem ninguém mexer.

E todas as respostas que imaginei ter um dia…

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Neo


Todos os Tantos…

Um tanto do que sou não mais se constrói. Apenas se refaz nas nuances do tempo e nas rebarbas pontiagudas que só a experiência apara.

Um tanto do que sou não se pode medir

Apenas intervir, ouvir, sentir, admitir…

Um tanto do que sou se refaz das cinzas das perdas, das decepções e de preconceitos que as vezes tenho que vencer

Mas outro tanto do que sou se fez dos olhares, lugares, prazeres e pessoas que aqui passaram.

Deixando marcas que estão gravadas pra sempre

Um tanto de mim é orgulho

Outro tanto é preconceito e vaidade

Um tanto de mim é medo

Contracenando com a esperança

Um tanto de mim é otimismo e fé

Que as vezes se opõe à loteria da sorte

Um tanto de mim é luz, que surge com a manhã

Outro tanto perde-se na sombra em que as vezes me perco

Na desconfiança e na maldade que ainda se esconde em gavetas que nunca desejo abrir

Um tanto de mim é alma

Outro tanto é calma, desejando a constância dos dias

Um tanto de mim é razão

Outro tanto é emoção, que vem à flor da pele na maior intensidade possível

E todos os tantos se completam em um ser

Onde o segredo é o equilíbrio de viver e acreditar que para a vida nem é preciso tanto…

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Neo


Lugar Comum…

Agora…

Vivemos um tempo em que é muito mais prático generalizar, muito mais fácil julgar e muito menos interessante, certificar.

Vivemos pra nossa necessidade e para o que nem é assim tão necessário,

E muito menos para o que agrega valor e realização à vida.

Inventamos necessidades pra manter o mercado em alta e nos esquecemos o que é necessário de verdade.

Vivemos muito mais de agradar e cada vez menos de contestar e analisar.

Onde o que é melhor tem que necessariamente ser o mais caro.

Onde o pior, apenas por ser considerado assim, é simplesmente descartado.

Vivemos um tempo onde tudo é muito superficial

Inclusive pessoas.

Um tempo onde tudo é raso, e não há esforço pra cavar e descobrir o que está abaixo da superfície.

Vivemos um tempo onde qualquer idiotice dá rima pra músicas

E não importa se ofende, se incita violência ou se desvirtua.

Vivemos num lugar comum, onde o diferente é discriminado

Porque somos cada vez mais programados para sermos iguais

E pra não contestarmos.

Vivemos o momento, simplesmente porque achamos que isso é o que importa

Vivemos a felicidade momentânea pra depois nos afogar na mágoa e na solidão de quando a festa acaba

E por muitas vezes continuamos

Generalizando

Julgando

Necessitando

Realizando

Inventando

Mantendo

Esquecendo

Agradando

Adquirindo

Rimando

Desvirtuando

Discriminando

Magoando

Descartando…

Porque temos aprendido e ensinado que assim que deve ser

Que é melhor o lugar comum

Que é melhor o

Agora…

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Neo


Transformação…

Uma palavra como qualquer outra, mas que envolve uma das maiores dificuldades humanas: se adaptar às mudanças.

Transformação requer adaptação. E nem sempre estamos prontos a nos adaptar. Ou pelo menos fazemos isso de maneira mais lenta. E o pior disso tudo é que o tempo não espera, a vida não espera e, principalmente, as corporações não esperam…

Transformar algo requer força de vontade, decisão e persistência. Transformar-se requer todas as anteriores e algo mais. A questão é que as vezes esta transformação vem de uma situação alheia a você. As vezes imposta. Algo inesperado, surpreendente, onde o chão some sob seus pés e todo o restante parece uma grande avalanche.

Mas você precisa tocar em frente.

Tocar em frente requer muito mais persistência do que decisão e vontade. Mas como elementos da transformação, eles se envolvem independentemente da ordem de fatores. Apenas pra te lembrar que tudo pode acontecer.

E que você é que precisa se encontrar pra poder seguir…

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Neo


Sobre Amor e Medidas

É como se a gente não soubesse pra que lado foi a vida. Por que tanta solidão?

E não é a dor que me entristece. É não ter uma saída nem medida na paixão.

O amor se foi perdido, foi tão distraído que nem me avisou.

O amor se foi calado, tão desesperado que me machucou.

E se fosse só o amor, mas não. Vão as pessoas, vai o tempo, vão os sonhos, a esperança…

Pior! Pior mesmo é que o amor, justo o amor se vá!!

Porque ainda que eu fale a língua dos anjos… sem amor sou como metal que soa…

Barulho.. vazio…

É como se a gente pressentisse: tudo que o amor não disse diz agora esta aflição.

E ficou o cheiro pelo ar, ficou medo de ficar. Vazio demais no coração.

Só o amor conhece o que é verdade.

Agora vejo em parte, mas depois veremos face a face…

Mesmo que eu falasse a língua dos anjos… nada seria sem amor…

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Citações: Lenine, Dudu Falcão e Renato Russo em “A medida da paixão” e “Monte Castelo”.

Adições: Palavras by Neo, que não se achou no vazio do que o amor não disse…


Quase Vivendo…

Como aliviar uma dor que é tão forte que sufoca a vontade de viver?

Este aperto que vai no coração é como uma saudade de tudo que a gente não viveu e que se esconde na dúvida e nas impossibilidades que a vida tratou de impor pra tirar a paz e o sossego que deveria existir onde agora a desesperança toma conta de cada espaço vazio.

Os ecos da impossibilidade batem nas paredes da mente devolvendo dúvida e agonia onde deveria haver uma resposta que faça sentido e devolva a vida aos trilhos que ela deveria seguir normalmente. Mas estes trilhos, novos ou velhos, deveriam vir repleto de toda a felicidade que a vida merece ter. Eles deveriam vir sem dúvida e sem dor. Eles deveriam vir… naturalmente pra dar curso natural à vida que ainda resta.

Mas se não há novos trilhos, a vida que ainda resta deixa de existir como vida e se transforma em dias que se repetem sem sentido, apenas pra dizer que se está vivo, mas que apagam o brilho do olhar e o pulsar do coração.

É como viver no “quase”…

É como uma quase vida…

É como quase viver…

Basta pensar nas oportunidades que escapam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por esta maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me as vezes o que nos leva a escolher uma vida morna. Ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór. Está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia” quase sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor.

Será que não são bons o suficiente?

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode… que o medo impeça de tentar…

Pros erros há perdão, pros fracassos, chance.

Pros amores impossíveis, tempo…

Gaste mais horas realizando do que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando.

Porque…

Embora, quem quase morre esteja vivo.. quem quase vive já morreu…

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Neo

Citações: Trechos do poema Quase, de Sarah Westphal.


Então é…

… Natal!!

O que mais assusta é perceber que mais um ano se foi.

Chega dezembro e com ele toda aquela carga do espírito natalino, correria, compras, encontros, presentes, famílias ao redor da mesa.

Faz algum sentido?

Talvez.

Talvez tenhamos que manter o protocolo e fazer o que todo mundo faz ou então o que todo mundo sempre fez e virou tradição.

Não estou sendo pessimista e muito menos condenando o “espírito natalino”. Apenas fico pensativo nesta época do ano… e todo ano me pergunto qual o sentido disso tudo, já que no ano que vem vai acontecer exatamente da mesma forma.

Que seja…

Talvez eu só possa dizer que pra mim não faz sentido algum…

E nem cabe a mim, um pretensioso poeta, dizer algo a este respeito.

Faz algum sentido?

Talvez…

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Abraços!!

Neo


Calma Distante…

De tudo que era necessário ser dito.. nada se perdeu…

E o que ficou gravado no coração supera a distância e a dúvida.

Supera a dificuldade e a culpa

E supera também as perguntas que ainda não têm respostas.

As perguntas que sempre existirão.

As que sempre estarão aí… no ar, nos cobrando, exigindo e pressionando para que nossa resposta seja rápida.

Nem tudo tem resposta. Nem tudo pode ter tanta pressa.

Nem tudo pode ser tão milimetricamente planejado.

E talvez, na falta de resposta encontremos a fuga.

Mas descartá-la como possibilidade pode abrir espaço para o tempo dizer se é possível ou não.

E pra dizer quais estavam certas ou erradas.

E respostas erradas podem nos levar a equívocos piores que as certezas que já tínhamos.

Mas eu? Eu  sou apenas um “poeta” perdido num emaranhado de respostas que não servem para as perguntas que tenho.

Apostando na parte bacana do tal do amor…

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Neo

Citação: Tal do Amor, by Jay Vaquer


Traço do Arquiteto…

Pra ouvir enquanto lê e vê, “Linha do Equador”, por Djavan.  Aperte o play…

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Este céu de Brasília num cair de tarde nublado nesta semana, foi a coisa mais linda de ver.

Entre prédios, fios e postes da selva de pedra, o céu que nos cobre é o mesmo que surpreende com seu show diário de tonalidades e de perfeição… que eu não poderia deixar de compartilhar aqui.

Perfeitos contrastes…

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Como a pressa do carro passando entre árvores enquanto os últimos raios de sol lutam pra iluminar entre as nuvens carregadas…

A pressa da cidade sob o céu colorido de azul e e cinza…

Da sutileza de nuvens brincando de formas sob o céu carregado…

Ou ainda do sol espalhando seus últimos raios do dia buscando vencer as nuvens carregadas de chuva e de uma beleza rara.

E por fim o contraste da luz artificial na beleza da noite quase completamente instalada e completa sobre nós…

Igualmente maravilhoso, foi escrever este texto ao som de “Linha do Equador”, e poder compartilhar aqui com você que me visita e sonha aqui comigo.

Grande abraço!

Agradecimento especial a alguém que me ensinou a enxergar o céu com outro olhar. Obrigado!

Neo

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Imagens: Fotos não profissionais, tiradas por Neo, num smartphone LG Smart GW550 – 3.2 MegaPixels.

Trilha Sonora: Linha do Equador, by Djavan.


Tanto Tempo…

Tanto tempo tentando entender o próprio tempo… levando o pensamento a esta busca de respostas que nem sempre virão… pelo menos não a tempo. Mas talvez até venham em tempo também. Porém, o que resta por enquanto é esta confusão. E esta confissão…

Antigamente eu escrevia, sonhava, cantava…

Não tão antigamente

E não tão no passado que estes verbos refletem

Ah estes verbos

Mudam tudo…

Eu também pensei em escrever algo que mostrasse como meu coração está. Mas as palavras fogem quando a razão desconhece as razões. E dizem por aí que o coração tem razões que a própria razão desconhece.

Terá perdido a noção? Do tempo? Do Pensamento?

A não ser que noção e entendimento partilhem da mesma idéia, vamos parar aonde?

Até porque não há nada que mude o que o coração sente. E não há palavras que transmitam…

É um substantivo abstrato.

Daqueles que dependem de um agente para que ele aconteça…

Sem agente não acontece

Sem a gente… não acontece…

Sem coração, não aparece

Sem aparecer, é inexistente

No tempo

No pensamento…

Tanto tempo que venho tentando ter tempo…

Mas não mais pra tentar entender…

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Neo

Impressões e mais considerações sobre o tempo…


O Tempo Que Não se Pode Medir…

Quanto tempo dura um mês? E três?

Pode ser o tempo que a vida levou pra se descobrir… e valer a pena.

Pode ser o tempo que o amor levou pra descobrir que sempre esteve ali e que existia mesmo antes do encontro.

Pode ser apenas uma medida de horas e dias.

E quando algo ultrapassa esta ditadura cronológica e rompe a barreira dos sentidos?

Talvez isso explique aquela sensação que se tem ao sentir que conhece aquela pessoa desde sempre, mesmo tendo acabado de conhecê-la. Talvez seja isso que liga duas pessoas e as une num ‘grande amor’. Talvez seja isso que faz com que o “grande amor” seja único na vida e não volte a acontecer. Não da mesma forma. Talvez seja isso o que chamam de afinidade.

Esta ligação intensa nasce imediatamente e ultrapassa qualquer forma e fórmula de tempo. E aí já não existe explicação através de palavras. É fato. É interpessoal. Não tem a ver com aparência nem nada. Existe na forma de comunicação além de tudo que é fisico e nos mantém sintonizados com aquela pessoa. Ligados à ela.

Afinidade…

Não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. Não importa o tempo, a ausência, os adiantamentos, a distância, as impossibilidades…

É a vitória do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro. É ficar, ainda que de longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem e sensibilizam. É receber o que vem de dentro com uma aceitação anterior ao entendimento.

É perceber um tempo que não se pode medir. É o que dá ao amor o toque de mágica que faz com que ele seja único… por 3 dias, 3 meses, 3 anos… a vida inteira.

É olhar nos olhos e ver que existe um futuro, bem ali. Aliado do tempo e da sede de viver. Apenas um.

É algo que o tempo não tem como medir…

Afinidade é “sentir com…”

Nem sentir contra, nem sentir para…

Sentir com é não ter necessidade de explicação do que está sentindo.

É quando a explicação está nos olhos. No desejo incontrolável de estar e de ser.

Estar junto. Ser amado.

É olhar e perceber…

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Neo

Citações: Afinidade, by Arthur da Távola (trechos)


Epitáfio, Substantivo Masculino

O que te motiva a sonhar?

Tem algo que nos impulsiona a querer ir além, a buscar realização na vida, certo? Mas por incrível que pareça fico me perguntando as vezes até onde isso tudo vale mesmo a pena. Nesta rotina de competição acabamos consumindo a vida numa inacabável procura. Inabalável procura até. Porque não há nada capaz de parar algumas pessoas.

Condicionados, ensinados ou motivados por sei lá o quê, nós corremos, estudamos, perseguimos, agradamos, ouvimos, perdemos, cedemos, erramos e até vencemos. E recomeçamos tudo novamente.

Por outro lado, o que nos motiva a fazer o contrário? Tem momentos em que precisamos parar tudo onde está e reavaliar aquilo que parecia muito certo pra nós. Parece familiar? Parar também faz parte.

Pensando nisso, me veio uma música muito famosa, chamada “Epitáfio”, onde o poeta fala do que deveria ter feito mais ou menos na sua vida em um tom de melancolia e reflexão até perturbador. Então fui procurar o significado de epitáfio. Segundo Aurélio, ‘epitáfio’, substantivo masculino, significa:

1 – Inscrição tumular

2 – Lápide ou tabuleta com epitáfio

3 – Elogio fúnebre

4 – Arte poética. Espécie de poesia satírica (em geral uma quadra) feita sobre um vivo como se tratasse de um morto.

Que? Me dei conta desta espécie de poesia satírica e notei também que tem muita gente morta por aí pensando que está viva. Estranho, não? Mas está cheio. Basta você olhar em volta. Junto disso me lembrei também de uma frase curiosa que me chamou a atenção em meio a uma conversa sobre riquezas e amenidades da vida moderna. Um amigo disse: “tem gente que é tão pobre que só tem dinheiro…”.

Achei espetacular, cheio de sabedoria e de uma sonoridade sem precedentes. Daí então tenho me lançado o desafio: Cuidado pra que a vida não seja uma “espécie de poesia satírica feita sobre um vivo… como se tratasse de um morto”…

Algumas frases e conceitos acabam tomando outro tom.

Ame mais

Complique menos

Chore mais, trabalhe menos, veja o sol nascer…

Se importe menos

Arrisque e erre mais

Aceite as pessoas como elas são

Morra de amor!!

Aliás…

Amor, substantivo masculino…

É infinitamente melhor que epitáfio

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By Neo

Citação: Epitáfio, by Titãs


Antes da Chuva…

chuva_noite

Cai a chuva… a noite…

A chuva na noite.

E fica a torcida de que a chuva caia como uma luva

Um dilúvio…

Um delírio…

A torcida de que a chuva traga alívio imediato. De que o delírio de um dilúvio imaginário possa varrer pra longe todas aquelas sensações que nos arrebatam e fazem pensar demais…

Querer demais

Temer demais…

Fica a torcida de que o tempo não nos impeça de viver. Porque quando a gente menos espera o tempo já passou, o futuro já chegou e se brincar, a gente ficou no mesmo lugar.

Pelo que amar, querer, viver e temer estão intimamente ligados. E já não podem se separar.

Mas eu digo, ame!

Não deixe o tempo assustar o amor, nem o medo enganar o tempo. O tempo não se engana.

O tempo… voa, esmaece, consome, esquece… corrói o futuro sem ser notado.

Pelo que já disse o poeta: “o futuro foi agora, mera distração…”

Ninguém vai saber de nada, mas acontece sem que ninguém veja

Sem soar o alarme, sem fazer alarde, sem bater na porta, sem mandar aviso, sem passar recibo, sem hora certa

Vai passar batido. Despercebido

O tempo..

Talvez até já tenha acontecido.

Mas não antes da chuva….

By Neo

Recados para mim mesmo…

Citações: Camuflagem, Alívio Imediato – By Engenheiros e Tudo Por Acaso – By Lenine.


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