O Jogo Continua…

Um minuto de silêncio e o jogo continua…

Todo mundo se comove, presta homenagem, tenta se mobilizar, mas passando o impacto inicial novamente tudo volta ao normal e acaba caindo no esquecimento coletivo.

Há quem diga que estamos no fundo do poço, mas o fundo do poço já está muito acima de nós.

Já passamos do fundo do poço quando menores queimaram vivo o índio pataxó que dormia em uma parada de ônibus em Brasília, ou quando o jornalista Tim Lopes foi morto e queimado no Rio de Janeiro, ou então quando uma menina de 14 anos foi morta a tiro na escadaria do metrô no Rio. Tem ainda a professora morta quando saía do 174, ônibus sequestrado também no Rio de Janeiro, uma criança arrastada por um carro, crianças jogadas dos apartamentos onde moram, adolescente sequestrada e morta por ex-namorado em vingança macabra ou tentativa de reatar namoro.

Normalmente não gosto de falar de tanta coisa ruim ao mesmo tempo. Mas acaba que fechamos os olhos e prosseguimos, e realmente tudo isso cai em nosso esquecimento, coletividade globalizada que somos.

É o fundo do poço? Acho que já passamos dele…

No país não existe uma cultura de que cada um é guardião da lei. Nossos legisladores fingem uma mobilização que logo é sufocada por interesses “maiores” que a proteção da vida humana. Projetos de melhoria da segurança esperam no Congresso desde maio de 2005, quando estouraram várias rebeliões em São Paulo ao mesmo tempo em um domingo de pânico geral.

Crime virou criminalidade, e o bandido ganha tempo pra fugir enquanto pronunciamos o palavrão…

Enquanto isso… o jogo continua…

Todos os estádios fazem um minuto de silêncio e os campeonatos espanhol, italiano, brasileiro, carioca, paulista, gaúcho, baiano e todos os outros… continuam…

Será o fundo do poço?

Hà quem diga que já passamos dele há tempos.

Porém, com um minuto de silêncio tudo se resolve… e o jogo continua…

Escrito por Neo, baseado em comentário de Alexandre Garcia em 11/02/2007.

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4 pensamentos sobre “O Jogo Continua…

  1. Bem
    acho que na mesma forma que o corpo desmaia quando a dor é mais intensa do que podemos suportar deixamos de lado com facilidade as coisas porque seria muito difícil suportá-las.
    É compelxo d+ tentar resolver o problema do mundo todo.
    Não é algo que basta alguém querer. Então, basicamente, as opções são: ser uma boa pessoa seguindo a idéia de ser a mudança que desejamos no mundo ou então pensar que nada assim vai acompecer com alguém próximo e ignorar todas as coisas.

  2. Tmb nao gosto de fala em tragedia nao…nos ja vivemos em muitas ne…no dia a dia…ja basta as guerras…..o rio mesmo é caso de Nao visitar as vezes…..a maoria das cidades mesmo….muito lamentavel…

    abraços

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