Ausência…

Depois de uma semana de ausência, volto por aqui pra tirar um pouco da poeira, me sentar no sofá do canto da sala e observar os móveis. Aproveito pra tentar relembrar o que foi dito enquanto tento montar uma grande colcha de retalhos com os recortes espalhados sobre a mesa da sala. Enquanto isso também, vou pensando em alguma coisa pra se dizer quando alguém chegar, mas é bem verdade que as palavras andam fugindo estes dias. Também nem preciso mais falar sobre o tempo. Acabamos todos reféns.

O interessante é que toda tecnologia que inventamos era justamente para ganharmos tempo. Mas… o que fizeram com o tempo que a gente ganhou?

Acabamos sempre mais ocupados e menos interessados em nos ocupar. Acabamos presenteando na tentativa de substituir nossa ausência e nossas falhas. Acabamos dialogando com máquinas e discutindo com pessoas. Acabamos perdendo o tempo que criamos sem ver onde o gastamos e este círculo vicioso acabou ganhou o nome de stress.

Andando lado a lado com o stress tem uma tal de carência. De afeto, de amor, de carinho, de atenção, de toque, de conversa. Mas já não sabemos conversar, porque nos falta paciência com os diálogos.

O interessante de tudo é que carência rima com paciência, que rima com ausência, que rima com consciência, que enfim rima com coerência.

E eu paro por aqui porque nos final das contas, não consegui montar minha colcha de retalhos e provavelmente voltarei a me recolher a minha ausência…

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Neo

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3 pensamentos sobre “Ausência…

  1. Amigo Neo, vou aproveitar a pertinência do post pra pedir perdão por minha ausência nos últimos meses… Assim como você disse num outro post aí abaixo, também lamento muito ter me afastado um pouco dos blogs amigos, diminuindo minhas visitas. Estava passando por uma fase apertada, concluindo meu mestrado, e agora estou enfim respirando um pouco melhor, voltando exatamente a dar as caras nesses lugares queridos, que eu não esqueci, não esqueci mesmo.
    Obrigado por ter me visitado por lá, aliás, é o meu blog antigo que está indicado aí na sua lista. Agora estou com O Ângulo em Mim, que numa reviravolta virtual criei como algo menos pessoal, mas ainda assim com muito de mim e claro, dos meus filmes amados. Voltarei a lhe visitar com a freqüência devida, o que sem dúvida me fará bem, pois gosto muito de suas reflexões.
    Grande abraço!

  2. Pior que ser refém da tecnologia, da falta de tempo, do comodismo, do estress etc etc etc etc…
    É ser refém de nós mesmos… Reféns de um mundo que nós mesmo criamos para nos engolir
    Tão reféns, que sequer se consegue juntar os retalhos espalhados

    beijosssss mil

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