To be…

Sempre estava lá… no mesmo lugar com o olhar perdido sentado à cadeira junto a janela do metrô. As pessoas entravam, se apertavam, se moviam, reclamavam, discutiam, sorriam e… saiam. E era como se nem estivesse ali. Seus músculos não se moviam. Sua face estática, olhos fixos na janela, brilhavam ao reflexo do vidro. Raramente piscava. E esta era a única pista de que realmente estava vivo ali e não era apenas um boneco. Sua respiração leve e compassada mostrava alguém que não se abalava, ou alguém que não estava nem aí mais.

Todos os dias estava ali, no mesmo lugar, a mesma expressão, o mesmo olhar perdido na janela pensando em sabe Deus o que. E todos os dias estava mudo. E todos os dias nenhum riso fazia com que se movesse. Eu não sabia. Ninguém ali sabia. Ou ninguém se importava. Será que alguém via?

Um dia o homem não apareceu. No seu lugar, outro rosto com olhar perdido por um pouco de tempo, até que alguém que entrou naquele vagão fez com seus olhos brilhassem e um sorriso explodisse. Mas o homem. Nunca mais.

Nunca, nada, ninguém…

Ninguém soube se existia alguém. Se alguém notava e se importava

O homem.. nunca mais.

Nunca mais olhar perdido.

Nunca mais reflexo

Nunca mais espelho.

Nunca mais o mesmo lugar…

___

Neo

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