Faça sua História (no TOS) # 3

Daí que tem um cara que escreve umas músicas aí… um tal de “Seu Jorge”. Ele me disse: “Neo, tô com uma música aí tocando pra todo lado que conta a história de um amigo meu, mas quero que você publique em forma de depoimento”. Depois ainda me disse: ” Se arrependimento matasse… mulher.. é um quilo bem pesado bixo…”.

Como o TOS tem uma seção especialmente criada para contar as histórias dos outros… senta que lá vem história…

Aquilo é que era mulher. Pra não me acordar cedo, saía da cama na ponta do pé. Só me chamava tarde, sabia meu gosto: na bandeja café, chocolate, biscoito, salada de fruta…..suco de mamão.

No almoço era filé mignon com arroz à la grega, batata corada e um vinho do bom. No jantar era a mesma fartura do almoço e ainda tinha opção. É… mais dei mole ela me dispensou.

Cheguei em casa outra vez doidão. Briguei com a preta sem razão…

Quis comer arroz doce com quiabo. Botei sal na batida de limão…

Dei lavagem ao macaco, banana pro porco, osso pro gato, sardinha ao cachorro, cachaça pro pato, entrei no chuveiro de terno e sapato, não queria papo.

Fui lá no porão, peguei treisoitão, dei tiro na mão do próprio irmão eue quis me segurar. Ele consegui me desarmar…

Fui pra rua de novo, entrei no velório pulando a janela, xinguei o defunto, apaguei a vela, cantei a viúva mulher de favela, dei um beijo nela, o bicho pegou a polícia chegou…

Ela não me quer mais…

Letra da música “Vacilão”, by Seu Jorge

Brincadeiras a parte, me acabei de rir com esta música do Seu Jorge e quis inventar esta novela toda aí. Não processem o Neo.

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Veja também:

Faça sua História (no TOS) # 1

Faça sua História (no TOS) # 2

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Faça sua História (no TOS) # 2

Já aconteceu de você olhar para pessoas da mesma idade e pensar: “não posso estar assim tão velho(a)…”? São as armadilhas do tempo sobre cada um de nós.

O TOS conta hoje a história comovente de uma senhora que vai ao dentista e descobre que está diante de uma antiga paixão, até que…

Bem, acompanhe este relato…

….

Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava pendurado na parede. Ao ler o seu nome de repente me lembrei de um moreno alto que tinha este mesmo nome. Era da minha classe do colegial uns 30 anos atrás. Eu me perguntava: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado na época?

Quando entrei na sala de atendimento imediatamente afastei este pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado era demasiadamente velho para ter sido meu amor secreto. Depois que ele examinou meus dentes perguntei-lhe se ele havia estudado no Colégio Sacré Coeur.

– Sim, estudei! – respondeu-me.

– Quando se formou? – perguntei.

– Em 1965. Por que a pergunta?

– É que… bem… você era da minha classe! – exclamei.

Então este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, filho de uma puta, lazarento me perguntou:

– A senhora era professora de que?

Faça sua História (no TOS) #1

Olá pessoas,

O TOS mais uma vez inova o conceito bloguístico e abre este espaço para histórias do cotidiano de pessoas como a gente. Gente que faz. A primeira pessoa que conta sua história aqui é Dircinéia, uma doméstica muito experiente e trabalhadora, que se dá super bem com seus patrões, mas não alivia nos comentários, no melhor estilo “Faça Sua História”…

Oi gente. Eu sempre quis ter esse negócio aí de saite, romepêge, mas não sei muito bem mexer nestas coisa de computador e esses troço, então pedi ao Neo que abrisse este espaço pra nóis também fazer parte do mundo virtual. Vou contar pra vocês um dia de trabalho.

Hoje de manhã eu fui a feira. Antes de sair meu patrão me pediu pra trazer figo. Aí eu perguntei: “Figo fruta ou bife de figo??”. O homem ficou uma fera. Gente fina seu Adamastor. Num ligo não. Ele tem sistema nervoso, sabe? Também, com um emprego chato daqueles… vou te contar. Ele é fiscal da Receita. Viginossinhora, deve ser um saco ficar conferindo receita de médico o dia inteiro? Credo. Então. Aproveitei que ia sair para a feira e matei dois coelhos com uma caixa dágua só: passei na farmácia e comprei os remédio que a dona Célia pediu. Depois chegou o Adamastorzinho, o filho mais novo deles. Acabou de ganhar um carro todo equipado. Tem roda de maionese, farol de pilha, teto ensolarado e trio elétrico. Não sei porque trio elétrico num carro, deve ser porque ele gosta de música baiana. Outra coisa: ingrato esse Adamastorzinho. Fiz a comida preferida dele e ele ainda me chamou de burra, vê só. Eu disse a ele toda boba quando ele chegou:

Adamastorizinho, adivinha a comida que eu fiz pra você.

 Qual Dircinéia?

– Começa com I…

– “I”????

– É, IIIIIII….

– IIII… num sei.

– Pensa: iiiiiiiii…

– Hummmm.. desisto. Sei não.

– Istrogonofe Adamastorzinho…