Ares de Abandono

De todos os planos que foram feitos, nenhum ficou pra contar a história. É impressionante ver como uma vida, duas vidas, várias vidas se entrelaçam de maneira inesperada e inevitável. Sem eira nem beira, sem rumo, sem volta…

E justamente este fato de não ter volta me faz pensar na brevidade das coisas, dos encontros e até mesmo da vida. Quando os dias não confirmam os planos, quando os planos não confirmam os sonhos, quando os sonhos se despedaçam e destroem a vida. Porque não se vive sem sonho. E também não se sonha sem esperança. E não se espera sem vida.

Pode parecer estranho e confuso, mas é exatamente como me sinto: estranho e confuso. Não me acho mais em mim, nem nos meus sonhos e muito menos na esperança que eu costumava ter. O poeta disse que o descompasso e o desperdício são herdeiros da virtude que perdemos. E se a esperança for uma virtude? E se a gente perder a única virtude que nos mantém vivos?

Muitas perguntas, nenhuma resposta… como sempre. E acho até que já falei disso em algum momento. E acho que estou começando a me repetir, dado o desespero da falta de palavras.

Mas é que meu mundo gira em círculos. A tontura não me deixa pensar com clareza. Talvez por isso o abandono das palavras…

Não apenas ares de abandono, mas um abandono completo.

Quero continuar, permanecer. Quero estar e quero ser. Quero ficar e aprender. Quero amar e te ter…

Quero tudo, mesmo não tendo nada….

Mas quero o que mais importa… você!

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Neo

Quem é Você?

Quem é você que chora em silêncio? Quem é você que vem de tão longe? Cansado de amar, cansado de tanta espera de um pouco de paz nas guerras do amor. Quem te vê não vê a tua história. Quem é você.. eu sei…

Quem diz adeus não sabe que o tempo transforma em sim o não do silêncio, que a força do amor é feita de movimento e amar é um só eterno momento.

Hoje eu sei que todos os caminhos que caminhei são teus…

Sei que te amarei, como amei um dia. Sei que não deixei de te amar. Eu sei quem é você.

Nunca me esqueci, nunca me cansei de esperar pelo seu amor…

Só não sabia que seria agora…

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By Sandra de Sá (na década de 80…)

Me Revelar…

Tudo aqui quer me revelar

Minha letra

Minha roupa

Meu paladar

O que eu não digo

O que eu afirmo

Onde eu gosto de ficar

Quando amanheço

Quando me esqueço

Quando morro de medo do mar…

Tudo aqui quer me revelar

Unhas roídas

Ausências, visitas

Cores na sala de estar

Tudo em mim quer me revelar!

Meu grito, meu beijo, meu jeito de desejar..

O que me preocupa

O que me ajuda

O que eu escolho pra amar…

Quando amanheço

Quando me esqueço

Quando morro do medo do mar…

Zélia Duncan

Mais uma Carta

Esta não é mais uma carta de amor. São pensamentos soltos traduzidos em palavras. Pra que você possa entender o que eu também não entendo.

Amar não é ter que ter sempre certeza. É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém. É poder ser você mesmo e não precisar fingir. É tentar esquecer e não conseguir fugir.

Já pensei em te largar, já olhei tantas vezes pro lado. Mas quando penso em alguém, é por você que eu fecho os olhos. Sei que nunca fui perfeito, mas com você eu posso ser até eu mesmo que você vai entender.

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens. Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis. Posso tirar a tua roupa, posso fazer o que eu quiser. Posso perder o juízo, mas com você eu tô tranquilo.

Tranquilo…

Agora o que vamos fazer… eu também não sei. Afinal, será que amar é mesmo tudo?

Se isso não é amor, o que mais pode ser?

Estou aprendendo também..

…….

Escrita por Fernanda Mello e Rogério Flausino e gravada por Jota Quest – “O que eu também não entendo”.

Homenagem ao amor, seja lá o que ele for…

Como dizem… é uma incógnita que permanecerá e que não se poderá entender, apenas amar…

Sangrando…

Eu quis dizer tanta coisa…

Eu quis olhar nos teus olhos, mas acabei me perdendo no meu medo, que insiste em não deixar que eu me entregue.

Medo… este mesmo medo do quase. Daquilo que deveria ter sido e não foi porque eu não arrisquei…

Por que eu não arrisquei?

Medo, talvez, de dizer o que eu realmente pensava e sentia por querer me proteger. De que? Se acabei não protegendo o que me era mais precioso…

Eu quis cantar um canto suave, que falasse que dentro do meu coração explode uma vontade de viver que nem eu mesmo sei de onde vem. Um canto que diga que eu acredito, apesar de tudo…

Eu quis melodiar uma poesia que vi há tantos dias e que não saiu da memória.

Eu quis letrar uma melodia e fazer dela uma canção que contasse a nossa história.

Eu quis…

E querendo, não fiz, e não fazendo não me achei, e não me achando te perdi.

Te perdendo me perdi também.

Portanto, quando eu soltar a minha voz por favor entenda que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando…

Coração na boca, peito aberto, vou sangrando…

Vou contando…

Vou cantando…

E se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso

Não se espante, cante, que o teu canto é minha força pra cantar

Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda

Que é apenas o meu jeito de viver…

O que é amar….

………………………………………….

Uma poesia escrita por Neo misturada com trechos de “Sangrando”, by Gonzaguinha.

Trilha Sonora…

Sabe aquela música que não te sai da cabeça por mais que você tente? Pois é…. estou com uma dessas na cabeça… no coração.. no sangue…

Então… com vocês: No Recreio. Escrita por Nando Reis e maravilhosamente interpretada por Cássia Eller.

Pra ouvir, clique AQUI

……

Quer saber quando te olhei na piscina

se apoiando com as mãos na borda
fervendo a água que não era tão fria
e um azulejo se partiu
porque a porta do nosso amor estava se abrindo
e os pés que irão por esse caminho vão terminar no altar
Eu só queria me casar com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
Então quero mudar de lugar
eu quero estar no lugar da sala pra te receber
na cor do esmalte que você vai escolher
só para as unhas pintar
quando é que você vai sacar
que o vão que fazem suas mãos
é só porque você não está comigo?
só é possível te amar…

Seus pés se espalham em fivela e sandália
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo, charme macio
Que cor terá se derreter?
Que som os lábios vão morder?
Vem me ensinar a falar
Vem me ensinar ter você
Na minha boca agora mora o teu nome
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
Nem descansar e adormecer
Não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
Olhar pro sol, só ver janela e cortina
No meu coração fiz um lar
O meu coração é o teu lar
E de que me adianta tanta mobília
Se você não está comigo?
Só é possível te amar
Ouve os sinos, amor
Só é possível te amar
Escorre aos litros o amor…