Veio…

insoneQuando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom e me assustei. Não sou perfeito.

A riqueza que nós temos ninguém consegue perceber.

E de pensar nisso tudo… eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir…

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Neo

Da música de Renato Russo, traduzindo sensações vivas

Ares de Abandono

De todos os planos que foram feitos, nenhum ficou pra contar a história. É impressionante ver como uma vida, duas vidas, várias vidas se entrelaçam de maneira inesperada e inevitável. Sem eira nem beira, sem rumo, sem volta…

E justamente este fato de não ter volta me faz pensar na brevidade das coisas, dos encontros e até mesmo da vida. Quando os dias não confirmam os planos, quando os planos não confirmam os sonhos, quando os sonhos se despedaçam e destroem a vida. Porque não se vive sem sonho. E também não se sonha sem esperança. E não se espera sem vida.

Pode parecer estranho e confuso, mas é exatamente como me sinto: estranho e confuso. Não me acho mais em mim, nem nos meus sonhos e muito menos na esperança que eu costumava ter. O poeta disse que o descompasso e o desperdício são herdeiros da virtude que perdemos. E se a esperança for uma virtude? E se a gente perder a única virtude que nos mantém vivos?

Muitas perguntas, nenhuma resposta… como sempre. E acho até que já falei disso em algum momento. E acho que estou começando a me repetir, dado o desespero da falta de palavras.

Mas é que meu mundo gira em círculos. A tontura não me deixa pensar com clareza. Talvez por isso o abandono das palavras…

Não apenas ares de abandono, mas um abandono completo.

Quero continuar, permanecer. Quero estar e quero ser. Quero ficar e aprender. Quero amar e te ter…

Quero tudo, mesmo não tendo nada….

Mas quero o que mais importa… você!

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Neo

Caminhos…

Todos os caminhos que tracei me trouxeram pra um lugar agitado

E daqui de onde estou, vejo o mar bravio batendo na parede da minha esperança despedaçada

Todos os caminhos que tracei me trouxeram para um lugar que agora desconheço

E daqui de onde estou vejo que meus sonhos tornaram-se uma realidade que só me consome os dias

Todos os caminhos que tracei me trouxeram pra este lugar que agora é um imenso vazio

E daqui de onde estou, ouço o eco da minha respiração

Todos os caminhos que tracei me trouxeram até aqui.

E daqui de onde estou agora são muitos os caminhos e quase nenhuma escolha.

Todos os caminhos que tracei me trouxeram até você.

E daqui de onde estou agora, uma única escolha para todos os caminhos que eu poderia traçar…

Uma única escolha…

Uma… única…

Uma…

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Neo

A Falta…

Tudo que falta por aqui ainda não se encontrou na verdade.

Faltam palavras

Idéias

Histórias

Falta alguém

Falta algo

Falta vida na vida

Sobra saudade

Vontade

Falta do que dizer

Tudo que vai

Tudo que falta

Tudo que deveria ser dito e não foi

Tudo que deveria fazer o maior sentido, não fez

Como este texto aqui..

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Neo

Sobre Amor e Medidas

É como se a gente não soubesse pra que lado foi a vida. Por que tanta solidão?

E não é a dor que me entristece. É não ter uma saída nem medida na paixão.

O amor se foi perdido, foi tão distraído que nem me avisou.

O amor se foi calado, tão desesperado que me machucou.

E se fosse só o amor, mas não. Vão as pessoas, vai o tempo, vão os sonhos, a esperança…

Pior! Pior mesmo é que o amor, justo o amor se vá!!

Porque ainda que eu fale a língua dos anjos… sem amor sou como metal que soa…

Barulho.. vazio…

É como se a gente pressentisse: tudo que o amor não disse diz agora esta aflição.

E ficou o cheiro pelo ar, ficou medo de ficar. Vazio demais no coração.

Só o amor conhece o que é verdade.

Agora vejo em parte, mas depois veremos face a face…

Mesmo que eu falasse a língua dos anjos… nada seria sem amor…

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Citações: Lenine, Dudu Falcão e Renato Russo em “A medida da paixão” e “Monte Castelo”.

Adições: Palavras by Neo, que não se achou no vazio do que o amor não disse…

Quase Vivendo…

Como aliviar uma dor que é tão forte que sufoca a vontade de viver?

Este aperto que vai no coração é como uma saudade de tudo que a gente não viveu e que se esconde na dúvida e nas impossibilidades que a vida tratou de impor pra tirar a paz e o sossego que deveria existir onde agora a desesperança toma conta de cada espaço vazio.

Os ecos da impossibilidade batem nas paredes da mente devolvendo dúvida e agonia onde deveria haver uma resposta que faça sentido e devolva a vida aos trilhos que ela deveria seguir normalmente. Mas estes trilhos, novos ou velhos, deveriam vir repleto de toda a felicidade que a vida merece ter. Eles deveriam vir sem dúvida e sem dor. Eles deveriam vir… naturalmente pra dar curso natural à vida que ainda resta.

Mas se não há novos trilhos, a vida que ainda resta deixa de existir como vida e se transforma em dias que se repetem sem sentido, apenas pra dizer que se está vivo, mas que apagam o brilho do olhar e o pulsar do coração.

É como viver no “quase”…

É como uma quase vida…

É como quase viver…

Basta pensar nas oportunidades que escapam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por esta maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me as vezes o que nos leva a escolher uma vida morna. Ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór. Está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia” quase sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor.

Será que não são bons o suficiente?

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode… que o medo impeça de tentar…

Pros erros há perdão, pros fracassos, chance.

Pros amores impossíveis, tempo…

Gaste mais horas realizando do que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando.

Porque…

Embora, quem quase morre esteja vivo.. quem quase vive já morreu…

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Neo

Citações: Trechos do poema Quase, de Sarah Westphal.

Lacunas…

Em algum momento dessa estrada chamada vida acabamos percebendo que não temos realmente o controle de muita coisa. Ela pega alguns atalhos que nos tiram de um rumo que parecia ser o melhor. De repente somos surpreendidos por amores, acontecimentos, por pessoas. Fatos que nunca imaginávamos acontecer, mas que acontecem e vêm muitas vezes de forma avassaladora tornando tudo diferente e nos fazendo pensar se o rumo que estamos seguindo é realmente o que deveria ser. E pra isso acabamos não encontrando explicações que preencham a lacuna. Também não encontramos respostas para as perguntas que surgem e deixam um vazio onde deveria existir uma direção pra continuar caminhando. E sentir-se assim, faz ter medo do que tem logo ali na frente desta estrada. Um medo de perder a direção de vez. Medo de que esta estrada não tenha um sentido certo, ou que continuar percorrendo não faça sentido algum.

A lacuna é preenchida por uma saudade de coisas que ainda nem aconteceram, mas que na imaginação tem uma dimensão de felicidade e de completamento à vida. Parecem dar todo sentido a uma estrada que, de tão batida, parece que não está levando a lugar algum.

Mas a estrada segue, a gente segue a estrada e tudo isso segue na gente. E as transformações continuam, pois esta estrada chamada vida não espera, apenas acontece…

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Neo